Agenda

Festivais Literários e Artísticos

Vozes Periféricas
Projeto desenvolvido pela Coordenadoria do Sistema Municipal de Bibliotecas de São Paulo (PMSP), Vozes Periféricas é um circuito de debates literários que procura dar visibilidade à diversidade da produção literária realizada nas periferias. Nesta edição, organizada pela Casa Poética, espaço cultural independente localizado no bairro de Ermelino Matarazzo, zona leste de São Paulo, os encontros foram divididos em 5 temáticas: batalhas de slam, pedagogia dos saraus, escrita criativa, literatura indígena e incentivo à leitura. Todos os encontros serão transmitidos pela página da Casa Poética no Facebook (link abaixo). Confira a programação com mais de 30 convidados, como Roberta Estrela D’Alva, Akins Kinte, Sérgio Vaz, Mel Duarte, Binho e Cristino Wapichana.

Rec•tyty – Festival de Artes Indígenas
Produzido pelo Instituto Maracá em parceria com o Selvagem – Ciclo de Estudos, o Festival promove a exibição e a ativação do trabalho de diversos artistas indígenas atuantes no país. Com curadoria de Ailton Krenak, Cristine Takuá, Carlos Papá, Naine Terena e Sandra Benites, a programação de rec•tyty conta com uma variedade de oficinas, debates e apresentações que mantém pulsante as expressões culturais indígenas.

Contação de história

Caçando Estórias
Caçando Estórias é um projeto de educação para a diversidade, idealizado a mais de 12 anos pela educadora e contadora de estórias Kemla Baptista que pretende levar as crianças a desbravar o universo das tradições afro-brasileiras. Com sede na Casa do Ofá, espaço cultural e de educação antirracista dedicado à criança, localizado em Olinda-PE,  o Caçando Estórias desenvolve ações multidisciplinares que relacionam contação de histórias, literatura, audiovisual, teatro de bonecos, música e dança, sempre por meio de afro-perspectivas. 

Auritha Tabajara
Auritha é escritora, poeta e cordelista natural do Ceará, neta de uma das maiores contadoras de história do povo Tabajara, Francisca Gomes. Seguindo os passos da avó, Auritha realiza contações de histórias para manter viva a cultura oral de seus ancestrais. Em seu canal do YouTube, podemos ouvir, ver e nos emocionar com as histórias das mulheres indígenas Tabajara e de toda a cultura do povo Tabajara.

Literatura e Artes Visuais

Mariana de Matos
Mariana é artista visual e poeta, natural do Vale do Rio Doce-MG. Graduada em Artes Visuais na Escola Guignard/UEMG (2009), é também mestre em Teoria Literária – UFPE (2020), com pesquisa sobre as contribuições da poesia negra para a decolonialidade. Com trabalhos que articulam diversas linguagens e técnicas (pintura, costura, poesia expandida, instalação, intervenção, performance, fotografia etc.), Marina tenciona diversas questões: versão oficial e verdade; história única e contra-narrativas; poder e posição; invenção de raça e narrativa de si; subjetividade e poéticas negras; entre várias outras que situam-se sobretudo na fissura entre os territórios da imagem e da palavra. Abaixo, podemos conferir os trabalhos Eu quero (2020), Anti-bandeirante (2019), além do projeto AS Poetas do Pajeú (2020), que tem evidenciado a produção poética de mulheres na formação cultural do Sertão do Pajeú, Pernambuco.

Mariana de Matos

Denilson Baniwa
Denilson Baniwa, do povo indígena Baniwa, natural da região do Rio Negro, Amazonas, é um artista indígena contemporâneo, que tem expressado por meio de diversos suportes (pintura, gravura, desenhos, textos, mídias digitais etc.) sua vivência enquanto indígena na atualidade. Mesclando referências indígenas tradicionais e contemporâneas e se apropriando de símbolos e linguagens ocidentais, o “artista-onça” vem rompendo fronteiras e abrindo caminhos ao comunicar o pensamento e a luta dos povos originários do Brasil. Confira abaixo os poemas visuais Poema da Chuva (2019) e Poema Ukara (2019), assim como o trabalho Re-Antropofagia (2019), apresentado na exposição de mesmo nome — a primeira no Brasil com curadoria e participação apenas de artistas indígenas — realizada no Centro de Artes da Universidade Federal Fluminense (UFF) em 2019.

Denilson Baniwa

Literatura e Musicalidade

Maíra Baldaia
Maíra Baldaia é uma autora, cantora e compositora mineira, que vem, em sua sonoridade, mesclando diferentes gêneros e características musicais: da MPB ao Jazz, passando pelos toques de tambor afro-mineiros à poesia falada. 

Influenciada pela obra Vozes – Mulheres (publicado no livro Poemas da recordação e outros movimentos), de Conceição Evaristo, a música Insubmissa, presente no álbum Ponte e outras paisagens (2016), primeiro da cantora, traça um percurso do processo de aceitação e empoderamento da mulher negra, e dialoga com o conceito de “escrevivência”, cunhado por Conceição, que remete a uma escrita que nasce do cotidiano, das lembranças e das experiências de vida da autora, e que revelam a condição de diversos afrodescendentes no Brasil. 

“(…) ela [Insubmissa] veio muito da minha alma, que bebe dessas histórias tantas, bebe da Conceição, bebe das mulheres do meu dia a dia, bebe das minhas ancestrais. Isso tudo junto é a minha verdade. É a minha voz.” 

(BALDAIA, Maíra. Vozes Insubmissas. Entrevista concedida a Simone Paulino. IX Festival de Araxá. 2021. Disponível em: https://fliaraxa.com.br/vozes-insubmissas/).

Maíra Baldaia

Kunumi MC
Werá Jeguaka Mirim, conhecido também como Kunumi MC, é rapper, compositor e escritor de literatura nativa. Natural da Tekoa Krukutu, comunidade guarani localizada em Parelheiros, zona sul da cidade de São Paulo, Kunumi é filho de Olivio Jekupé, escritor guarani de literatura nativa que tem mais de 20 livros de literatura infanto-juvenil publicados. Ambos têm feito da escrita e da música instrumentos de resistência e luta  dos povos indígenas.

Pode-se queimar a biblioteca de Alexandria. Acima e além dos papiros, existem forças: a faculdade de reencontrá-las nos será tirada por algum tempo, mas não se suprimirá a energia delas. E é bom que desapareçam algumas facilidades exageradas e que certas formas caiam no esquecimento; assim, a cultura sem espaço nem tempo, e que nossa capacidade nervosa contém, ressurgirá com maior energia. (Artaud, Antonin – O teatro e seu duplo)

É importante possuir agendas. A palavra agenda é muitas vezes utilizada como um registro de compromissos e tarefas, mas a origem da palavra vem do latim agere que significa agir. Sendo assim, uma agenda é mais que um registro de compromissos, mas um manifesto pessoal de compromisso com a ação, com o realizar.

Essa agenda nasceria no começo do mês, quando o objetivo seria cruzar nossos projetos pedagógicos com a ações culturais da cidade. Até então, o foco era criar uma agenda em tempos de ataques à Cultura e ativação de propostas culturais diversas – a criação pessoal de mapas artístico-culturais por espaços, atividades e manifestações. Tudo implodido na semana passada e precisamos, hoje e dia-a-dia, recriar não só os percursos, mas os mapas.  

Nós, do departamento de Projetos e Produção Cultural do Oswald de Andrade, desejávamos que a agenda, Turista aprendiz – a agenda (do) Cultural, fosse um recurso que possibilitasse a elaboração de uma galeria pessoal de vivências (expográficas, interativas, expositivas), tendo a cidade como vetor de materialização. Ainda desejamos, mas hoje os desejos estão em suspensão perto das necessidades.

Temos atualmente quatro objetivos:

  • Compartilhar produções que estão surgindo neste cenário – exposições, sites de compartilhamentos de filmes, apresentações musicais online etc. Sabemos que essa é uma medida paliativa para o setor cultural, pois a maioria destas produções demandam a presença física dos espectadores.
  • Cruzar essas produções com nossas propostas escolares quando possível.
  • Ser um equipamento online que divulgue produções, espaços e atividades para que, depois dessa situação, possamos reviver essas propostas e espaços culturais.  
  • Começar a criar uma rede de pessoas e propostas que possam usar o Oswald, no futuro, como um equipamento cultural, tal como já usam Barbatuques, Nau de Ícaros e outros coletivos culturais.

Esse último objetivo surgiu recentemente, quando grupos artísticos já sinalizam a sua dissolução em curto prazo ou espaços culturais que podem fechar em poucos meses neste cenário. Desta forma, precisamos nos compromissar em colaborar no que for possível para que propostas e seus respectivos grupos simplesmente não deixem de existir. O primeiro passo é deixar nossa agenda permanentemente ocupada e ativa. Depois agir com exatidão para propiciar que grupos possam voltar para a normalidade – primeiro divulgando o que estão fazendo agora e posteriormente com novas ações culturais.

Divulgaremos sistematicamente propostas culturais diversas, mas também queremos escutar a comunidade oswaldiana – saber de atividades culturais que tenham conhecimento, grupos e ações atuais que estão sendo mobilizadas atualmente. Mantenham o canal aberto com o Cultural do Oswald de Andrade (cultural@colegiooswald.com.br) para que possamos ter essas informações e divulgar essas manifestações. 

Temos os porquês (dessa semana), mas precisamos mobilizá-los, remobilizá-los e assim diariamente.

Departamento de Projetos e Produção Cultural