Mostra Cultural – Unidade Girassol

A Mostra Cultural no Oswald é entendida não como um evento isolado, no qual são apresentados os trabalhos de um ano ou de um recorte temático, mas como uma ferramenta processual para que possamos, como escola, desenvolver um trabalho colaborativo que não é finalizado no dia da exposição.

Entendemos a Mostra com um dispositivo ativo de aprendizado e, por meio dele, podemos colocar em prática nossos quatro pilares: Autonomia, Colaboração, Diversidade e Investigação.

Sendo assim, a Mostra Cultural é mais uma ferramenta deste currículo. E, por meio deste recorte, podemos compartilhar um pouco do processo dos alunos. Um processo que possibilita diversos  percursos de um projeto individual e coletivo: do levantamento de questões fundamentais, indagações temáticas e múltiplas opiniões; de pesquisa vertical, relações horizontais, encaminhamentos criativos e investigação de saberes populares. Um momento de brincar, interagir e fazer.

Próximo evento

Mostra Cultural 2019: “Diálogos”

05 de outubro
das 11h30 às 15h00

Unidade Girassol – Rua Girassol, 898

Clique aqui para ver o mapa interativo da Mostra, com os textos de apresentação dos trabalhos.

Quer ver?
Escuta
(Francisco Alvim)

A Mostra Cultural é um dos momentos de abertura da escola para as trocas – de propostas, de ideias, de resultados, de múltiplos olhares. Neste ano, a Mostra propõe abraçar ainda mais as trocas, colocando os diálogos como pretextos deste momento.

A compreensão do que pode ser um diálogo é passível de abertura e desdobramento em uma multiplicidade de sentidos. Sentidos esses que são notados conforme passamos pelas obras que aqui se encontram: diálogos consigo mesmo, com o outro, com o espaço que nos cerca – e como esse espaço interfere e molda os diálogos de quem o habita. 

Em uma de suas acepções possíveis, dialogar é um processo de conhecimento por meio da linguagem. Seguimos em um esforço conjunto de nos aproximarmos de uma visão de mundo compartilhada, que permita permanentes arranjos da coletividade, em suas diversas vozes, posicionamentos e pontos de vista. 

O filósofo francês Jacques Rancière, em seu livro Partilha do sensível, presenteou-nos com um conceito generoso de partilha. Partilhar é, ao mesmo tempo, cindir algo (ideia, objeto, pensamento, sentimento) e também dividir com alguém. É um momento de escolhas, de decisões e de trocas. Nosso tempo pede diálogo e, principalmente, espaços de diálogo. O diálogo enquanto embate e crítica, em tom de provocação e denúncia, convida para conversas nem sempre fáceis, mas necessárias. 

Em outra camada de significação, propomos um diálogo existente entre as linguagens. A tradução que põe em diálogo diferentes linguagens – visual, verbal, sonora etc. – permite a reapropriação e o aprofundamento significativo do que se aprende. Ao compartilhar trabalhos que são fruto de criação coletiva, há o efetivo desejo de compartir esses processos que resultaram de conversas, desenhos, vídeos, criações sonoras, gestos e escritos, para que possam ser multiplicados e, assim, permear outros níveis de discussão, habitando um espaço mais amplo e povoado do que se dá no cotidiano.

Ao estimular o trânsito ativo do visitante a fazer parte da criação a partir de diferentes linguagens, há um convite à escuta: elemento imprescindível para que o diálogo possa existir. 

Os trabalhos aqui distribuídos não se agrupam em uma completude imediata: é necessário investigar, buscar ativamente, mapear e se deixar contaminar pela deriva pessoal e partilhada, constitutiva de significados em diálogo. Há partes a serem encontradas e desveladas. O diálogo exige olhar atento, escuta, disposição e entrega. Em uma diversidade de tons e alturas, entre harmonias e dissonâncias, há o pedido de que se pare para escutar melhor. Vamos ver?

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